sexta-feira, 30 de outubro de 2015

EXPLORAR OS OBSTÁCULOS SOBRE A IMPLEMENTAÇÃO DA EDUCAÇÃO CTS NO CONTEXTO ESCOLAR

Explorar os obstáculos sobre a Implementação da Educação CTS no contexto escolar.
No mundo atual, a cada momento temos vivenciado o aparecimento de avanços científicos e tecnológicos, tanto na área industrial como no meio social. Os jovens tem maior facilidade de interagir com as novas tecnologias e podem transmitir com mais facilidade os seus conhecimentos adquiridos tanto no meio familiar como no meio educacional.
A educação CTSA, que significa Ciência, Tecnologia, Sociedade e Ambiente é objeto de estudo na educação atual, uma nova forma de contextualizar os conteúdos curriculares na escolha de informações não somente no que diz respeito aos conceitos utilizados para explicar como são compreendidos os assuntos abordados em sala de aula, mas também com ênfase nas informações de como são os funcionamentos das coisas e das questões tecnológicas, tanto no meio educacional, social ou industrial.
Nos livros didáticos de Física, comentam de como é o funcionamento de um motor de combustão interna e diferencia do combustível diesel e gasolina, o funcionamento de uma geladeira e do ar condicionado e, alguns componentes eletrônicos no nosso meio social. Mas ainda falta ir mais além, explicando como é o processo de fabricação, construção ou modificação desses aparelhos e equipamentos, envolvendo tanto a física, química, biologia e ou a história dos avanços tecnológicos ocorridos no mundo em que vivemos.
Serão alternativas para aproximar os estudantes do ensino médio ao mundo tecnológico com grandes chances de que no final do percurso, como estudante do ensino médio, possa direcioná-los ao mundo do trabalho.
Um exemplo em que poderia ser utilizado nos livros didáticos, seriam os conhecimentos de fabricação do aço, envolvendo a física e a química, que poderia interagir desde a extração da matéria prima, o minério de ferro, até a mistura com o carvão para a produção do ferro gusa em um alto forno siderúrgico e até ao processo da transformação do ferro gusa em aço em uma aciaria com a retirada do carbono do ferro gusa com a utilização do oxigênio no interior da matéria prima. Processos simples de explicar e entender.
Poderemos também não deixar de comentar que a produção do papel, do tecido, dos aparelhos elétricos e eletrônicos e do automóvel, tanto na explicação nos livros didáticos de física, química ou de biologia.
Existem opiniões em que os saberes da tecnologia impulsionam a um mundo melhor e nunca teriam um fim, pois a cada momento existem novas inovações e novas formas de viver em sociedade, mostrando que não poderemos mais ficar alheio à cultura científica, que se renova a cada momento, principalmente no ensino médio não podemos mais viver sem cultura científica “se admite cada vez mais que sem cultura científica e tecnológica os sistemas democráticos se tornam cada vez mais vulneráveis a tecnocracia” (FOUREZ, P. 23 1997).
 Apesar das disciplinas científicas, física, química e biologia, não serem bem aceita entre os alunos do ensino médio, poderemos mudar esse contexto no sentido de que o governo e os meios de comunicação social, abram espaços para informações e comentários sobre a importância dessas disciplinas. Como exemplo, poderemos citar os sites educacionais das instituições de ensino. Esses sites poderiam abrir um espaço para mostrar a importância dessas disciplinas, citando novas inovações tecnológicas, como funcionam determinados utensílios domésticos, como são fabricados os materiais e ferramentas que nos auxiliam no nosso cotidiano, entre outros assuntos que poderiam despertar o interesse dos alunos do ensino médio nas disciplinas científicas no processo de ensino e aprendizagem.
O ensino médio atual é atuante no que diz a uma conscientização dos alunos em envolvê-los de como ele poderá ingressar em um curso técnico ou superior, mas somente isso não supre os saberes da ciência e da tecnologia em como é a verdadeira concepção dos objetos que a todo o momento tem nos auxiliados em nossa sociedade como poderemos citar os utensílios domésticos, eletrônicos, elétricos, farmacêutico, meios de transporte, mostrando o funcionamento e fabricação mecânica, elétrica, eletrônica e de construção civil.
A ciência química tem uma indústria química correspondente, a qual pode influenciar a elaboração dos programas de formação dos químicos e fazer incorporar as concepções do mundo do trabalho, com implicações no ensino da química. Isso não ocorre com a mesma intensidade na formação do físico. (RICARDO, p. 5. 2007)
Em um dos textos sugeridos para leitura com o título “A prática do professor e a pesquisa em ensino de física: novos elementos para repensar essa relação”, nesse texto, faz abordagem das evidências na investigação e trabalho das atividades de Física, sobre a pesquisa em educação em ciência e a prática, que talvez seja em praticar a pesquisa sobre a teoria aplicada em sala de aula.
No texto, os autores questionam o papel desempenhado pelos resultados da pesquisa em educação e ciências como:
Um caminho proposto pelo autor seria incorporar nas publicações a discussão sobre possíveis impactos educacionais, que incluiriam motivações, pretensões, implicações mesmo nos casos em que não se consigam identificar claramente o contexto de sua possível implementação. Por outro lado, o autor reconhece a complexidade desta relação e questiona o papel desempenhado pelos resultados da pesquisa em Educação em Ciências oriundos de um dado contexto diferente da realidade onde se insere a prática docente. (REZENDE, OSTERMANN, P.318 2005).
Porlán e Rivero (1998) citam dos problemas sobre a prática das ciências em sala de aula e, relata que é escassa a integração de diferentes tipos de conhecimento nos conteúdos sobre a ciência, o plano de atividades sem detalhes ou rígido e por último, uma visão e atitudes do aluno em entender ou não dos fatos apresentados.
No texto, relata o que pode influenciar no ensino de física como: condições estruturais e condições de trabalho, salas não adequadas, excesso de alunos em sala de aula e com diferentes culturas. A existência de uma falta de perspectiva profissional, o professor ensina de forma tradicional e com evasiva utilização de fórmulas físicas.
Atualmente existem salas com tecnologias e não são suficientes para a quantidade de turmas nas escolas públicas. Existe uma sala de informática para cada escola pública, sem manutenção adequada e não atende a uma escola com em média de quatrocentos alunos do ensino médio por cada turno de estudo. Os alunos tem dificuldade em relacionar o conteúdo teórico com os fenômenos do cotidiano e, nos livros didáticos, mostram da importância e da aplicação da maioria das atividades propostas em física.
Falta de base na matemática, leitura e compreensão dos enunciados dos problemas e como encontrar a solução. Os alunos alcançam o ensino médio com dificuldade em elaborar pequenas operações da matemática, não sabem a tabuada e querem elaborar as provas em dupla e com a utilização da calculadora do celular que na realidade vem com as colas nos textos fotografados pelos próprios alunos.
A atitude do aluno sobre a Física é negativa e impede o desenvolvimento e o professor tenta quebrar os preconceitos. O professor de Física é visto como um complicador no processo ensino e aprendizagem, os alunos não entendem os conceitos apresentados devido a não se interessarem em interpretá-los, não sabem como interpretar pequenos textos.
A indisciplina ruim em sala de aula, com muita conversa e disputas pessoas que atrapalham o processo ensino e aprendizagem.
Com o advento da internet, os professores tem mais facilidade em exemplificar os conteúdos com as aplicações tecnológicas no meio industrial, meio ambiente e no seu ambiente familiar, com dinâmica de grupo e, interdisciplinaridade.
Um exemplo seria a corrente elétrica, condução de eletricidade, luz, cor, relação entre força e movimento, as imagens no espelho côncavo e conceitos de calor que, no passado não eram contextualizados e atualmente existem equipamentos tecnológicos que facilitam em explicar esses conceitos de Física como: Motores de combustão interna, caldeiras a vapor, óculos, binóculos, utensílios elétricos e eletrônicos utilizados no meio familiar.
Até hoje, não existem aplicações de pesquisas como atividade interdisciplinar em sala de aula, não existem interesse por ambas as partes, aluno e professor, devido principalmente ao excesso de alunos em sala de aula, sala de informática insuficiente e os alunos não tem compromisso com o estudo. Atualmente existe uma tentativa das escolas públicas em implantar dois turnos de estudos, denominada de “escola viva” com disponibilidades de práticas e ensino no segundo turno de estudo.
O ensino médio considerado como o acúmulo de saberes, continua com a mesma finalidade do aluno prosseguir seus estudos, após o término do ensino médio, em um curso técnico ou superior. Práticas direcionadas nos livros didáticos somente para o exame de vestibular. O ensino médio não é profissionalizante, apenas acúmulo de saberes.
No PCN+ 2002, no ensino médio com conhecimentos práticos, contextualizados, que correspondem à vida contemporânea com práticas com a realidade vivida do aluno e sugerem que “O desenvolvimento dos fenômenos elétricos e magnéticos, por exemplo, pode ser dirigido para a compreensão dos equipamentos elétricos que povoam nosso cotidiano”
Nas práticas pedagógicas do professor de física, utilizam essas maneiras de ensinar como exemplo para os alunos do segundo ano quando os professores comentam sobre máquinas térmicas e em motores de combustão interna, geladeira e ar condicionado relacionando com o calor, na dilatação dos materiais na construção civil. No primeiro ano do ensino médio, nos movimentos sobre a velocidade dos veículos inclusive a utilização para multas dos veículos em radares eletrônicos como é a relação do espaço percorrido marcado antes do semáforo, o tempo gasto nesse percurso e o cálculo da velocidade instantânea e ao mesmo tempo, com a velocidade da luz e, finalmente a fotografia do veículo infrator. A força em relação à massa e o peso para os transportes no cotidiano. No momento de uma força, são mostradas as ferramentas como o martelo, serrote, carrinho de mão e a tesoura. O que condiz que os professores de Física estão utilizando conhecimentos práticos contextualizados no processo de ensino e aprendizagem.
Uma das maneiras de melhorar o ensino em sala de aula é o professor elaborar comentários sobre o meio ambiente em que vivem os estudantes, podendo trazer informações importantes para que o aluno possa assimilar os conceitos propostos em sala de aula, são exemplos de como obter determinadas tecnologias de utilização no seu cotidiano, que podem traduzir em interpretações facilitadoras no processo ensino e aprendizagem.  
Referências Bibliográficas
Brasil, PCN+ Ensino Médio: Orientações Educacionais Complementares aos Parâmetros Curriculares Nacionais, Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias (Ministério da Educação, Brasília, 2002)
CABALLERO M. A., Rodriguez, M. L. Actas Del encuentro internacional sobre El aprendizaje significativo. Burgos, España PP. 19-44. 1997.
PORLÃN, R.; RIVERO, A. El conocimiento de lós professores – uma prouesta formativa em El área de ciências. Sevilha: Diada Editora, 1998.
REZENDE F. OSTERMANN F. A prática do professor e a pesquisa em ensino de Física: Novos elementos para repensar essa relação. Núcleo de tecnologia educacional para a saúde UFRJ rio de Janeiro – RJ. Cad. Brás. Ens. Fis., V.22, n.3: p. 316-337, dez. 2005
RICARDO, Elio C. Educação CTSA: Obstáculos e possibilidades para sua implementação no contexto escolar. Ciência & Ensino, vol. 1, número especial, nov. 2007.

RICARDO, Elio C. e FREIRE, Janaína C. A. A concepção dos alunos sobre a Física do ensino médio: Um estudo exploratório (2006). Publicado na Revista Brasileira de ensino de Física, V. 20, M.2, p.251-266, 2007 Pesquisa em Ensino de Física.  WWW.sbfisica.org.br.

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