segunda-feira, 16 de novembro de 2015

EDUCADOR COMO INTELECTUAL E EDUCAÇÃO ENQUANTO PRÁTICA SOCIAL TRANSFORMADORA




EDUCADOR COMO INTELECTUAL E EDUCAÇÃO ENQUANTO PRÁTICA SOCIAL TRANSFORMADORA


(1) AMADA MARIANA COSTA DE MELO
(2) ELINEIDE SCOPEL LAPORTI LADISLAU
(3) RÓBISON PIMENTEL GARCIA


 

A – Formação docente, alinhando teoria e prática: as práticas pedagógicas encontradas frente os desafios impostos pelas realidades retratadas.
Na formação dos professores, é necessário, para que sejam profissionais da área da educação, que haja um currículo dos conteúdos. Quando nós, enquanto alunos, realizamos o estágio na escola, imaginamos encontrar uma escola prazerosa e democrática. Porém, na realidade, nos deparamos com uma realidade bem diferente da que imaginamos; encontramos uma escola com diversos problemas, como por exemplo, violência, indisciplina, entre outras. Infelizmente, as escolas públicas estão nessa situação. Ainda serão necessárias muitas mudanças para alcançarmos a escola democrática.
“[...] ao desenvolverem um currículo formal com conteúdos e atividades de estágios, distanciados da realidade das escolas, numa perspectiva burocrática [...].” (PIMENTA, 1997, p.5).

B – Postura do Educador diante da sociedade atual: atitude reflexiva dos professores.
Ensinar, em qualquer nível de ensino, continua sendo um desafio, principalmente devido a questões como: conteúdos extensos e, pouco tempo em sala de aula, necessidade dos alunos atentos ao conteúdo proposto, excesso de alunos em sala de aula. Isso sem falar que os alunos chegam ao ensino médio, despreparados em enfrentar os conteúdos a serem ministrados, sem a base devida, e enfrentam muitas dificuldades para acompanhar os conteúdos, trazendo mais desafios para o professor.
A relação do educador com o educando, assim como destes com o ambiente escolar deve ser uma relação prazerosa, alegre e agradável. É necessário o estímulo do professor de forma que desperte o interesse do aluno para aprender a ser, conviver, se relacionar e ser um cidadão consciente de sua atitude nesse mundo. A educação não é feita sozinha e muito menos dentro de quatro paredes, é necessária a abertura para o entorno, para a sociedade. É necessário que haja relacionamento, que se preze pela coletividade e que haja respeito e ética com o outro. Não há pessoa tão sábia que não possa aprender e nem pessoa tão vazia que não tenha nada a ensinar.
Diante da situação atual e com tantas mudanças tecnológicas, o professor não tem condições de saber mais do que o aluno o tempo todo. Com a internet, os alunos tem acesso a diversos tipos de informações e muitas vezes confrontam com o professor, devido a isso o processo de ensino aprendizagem deve ser uma mão dupla, onde tanto professor quanto ao aluno aprendam juntos. O professor deve ter uma atitude reflexiva de que ninguém é detentor de todo o conhecimento, afinal o conhecimento muda o tempo todo. É através das relações que é possível estreitar laços e aprender com o outro de forma efetiva. É preciso eliminar o abismo que existe entre professor e o aluno, onde o professor é detentor de conhecimento e o aluno um livro em branco que precisa ser preenchido de conhecimento e que não possui nada a ensinar.

C – Postura do Educador diante da sociedade atual: a relação educador x educando
Quando os professores se organizarem em debates de como melhorar a educação, programas de treinamento para os professores, mostrando a necessidade novas mudanças pedagógicas na educação pública, satisfazendo as necessidades do aluno em ser crítico, social e ativo no processo de ensino e aprendizagem.
As escolas públicas ensinam sobre o meio ambiente, história dos negros, formas de religião, que incorporam na vida do estudante uma visão holística no mundo em que vivem, de maneira que a maioria dos estudantes não contextualiza de forma democrática e crítica.
“[...] os professores deveriam se tornar intelectuais transformadores se quiserem educar os estudantes para serem cidadãos ativos e críticos [...]” (GIROUX, 1997).
O professor deve promover o aprendizado de forma amigável, aproveitando e explorando as características e habilidades de cada aluno de forma que floresça o que ele tem de melhor e que ele se sinta uma pessoa importante, de valor que pode contribuir com o espaço que o cerca, na sociedade, na sua cidade, no seu estado e no mundo.

D – O compromisso ético e a relação com a coletividade.
Não há necessidades de novas mudanças inovadores, mas sim adequar oportunidades para que o professor possa trabalhar em sala de aula com o aluno de maneira prazerosa e, necessidade se faz de salas de informáticas atualizadas, salas de leitura e biblioteca, salas dos professores em melhores condições e o livro em que o aluno não tem nenhum interesse em levar para a escola.
Nas escolas não existem murais para exposição dos trabalhos dos alunos. A família não participa ativamente na escola, são poucos que procuram saber sobre o andamento do aluno no ambiente educacional.
Necessidade se faz de escolas públicas democráticas e comprometidas em educar alunos nas linguagens da crítica, com iniciativa própria, conhecedor dos direitos e deveres dentro de um contexto educacional e social.
Existe a necessidade dos professores oferecerem aos alunos em serem intelectualmente livres, críticos e ativos. A existência de um clima político para que ocorram novos rumos na escola pública.
[...] “um ponto de partida para interrogar-se a função social dos professores enquanto intelectuais é ver as escolas como locais econômicos, culturais e sociais que estão inextrincavelmente atrelados às questões de poder e controle” [...] (GIROUX, 1997).
As escolas simplesmente repassam os conhecimentos de maneira objetiva e direta, não utilizam uma pedagogia crítica, formas de linguagens diferenciadas na contextualização dos conteúdos, não valorizam o conhecimento social mais amplo em relação aos valores sociais do estudante. O que podemos perceber é que existe uma disputa sobre autoridade, maneira da regulamentação da moral e do conhecimento.

E – Os desafios que essas experiências suscitam para a formação docente.
Antes de 1950, o modelo escolar era de reflexão dos conteúdos com ênfase na literatura e, as escolas eram destinadas para aqueles que seriam líderes. Após a década de 50, com a industrialização, as escolas começaram a direcionar os alunos para atender ao mercado industrial, perfazendo até a atualidade.
Às vezes os professores tem dificuldade em abordar os conteúdos de maneira motivadora. Igualitária, democrática e, prazerosa. O ensino médio considerado como o acúmulo de saberes, continua com a mesma finalidade do aluno em prosseguir seus estudos após o término do ensino médio em um curso técnico ou superior ou, iniciar no mundo do trabalho com somente a conclusão do ensino médio. Práticas direcionadas em sala com aula expositiva, contextualizada e utilizando laboratórios, facilitará aos alunos nas suas relações futuras, favorecendo em suas atividades no meio educacional e, ou no mundo do trabalho.
Os desafios para o educador alcançar uma educação típica da escola sem muros é grande, ele deve ser muito mais do que um detentor de conhecimento, ele deve ter interesse em aprender de tudo, ser motivado, confiante, autônomo e também ousado. Deve haver quebra de paradigmas para que se saia da zona de conforto e ocorra a mudança do modelo de ensino formal, onde um ensina e o outro aprende, um pensa e o outro repete, um pode e o outro não pode, um manda e o outro obedece. É preciso pensar muito mais do que no seu próprio umbigo, é ter visão da sua parcela de contribuição ou destruição numa sociedade ou num mundo como um todo.
(1) - Bióloga e Mestre em Ecologia e Biomonitoramento, formada pela UFBA. Tem experiência no ensino superior. Atualmente, desempenha a função de Diretora Acadêmica da Faculdade de Ensino Superior de Linhares - FACELI.
(2) - Farmacêutica -Aracruz - ES
(3) - Engenheiro Mecânico, formado pela UFES. Experiência na área de siderurgia, ensino fundamental, técnico e superior. Atualmente desempenho a função de professor de Física SEDU-ES, nos municípios de Vila Velha e Cariacica - ES e, curso técnico mecânico.

Referências Bibliográficas
GIROUX, Henry A. Os professores como intelectuais, rumo a uma pedagogia crítica da aprendizagem. Tradução de Daniel Bueno, Porto Alegre, Artes Médicas, cap 9 (p. 157 – 163). 1997.
PALESTRA DE VIVIANE MOSÉ O que a escola deveria aprender antes de ensinar. CPLF cultura. Café Filosófico: A educação por Viviane Mosé. Local Brasil, 2013, 49 min.
PIMENTA, Selma G. Formação de professores – saberes da docência do professor. Revista Nuances, volume III, setembro de 1997.

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