Obstáculos da implementação da educação CTSA no contexto
escolar.
No mundo atual, a cada momento temos vivenciado o
aparecimento de avanços científicos e tecnológicos, tanto na área industrial
como no meio social. Os jovens tem maior facilidade de interagir com as novas
tecnologias e podem transmitir com mais facilidade os seus conhecimentos
adquiridos tanto no meio familiar como no meio educacional.
A educação CTSA, que significa Ciência, Tecnologia,
Sociedade e Ambiente é objeto de estudo na educação atual, uma nova forma de
contextualizar os conteúdos curriculares na escolha de informações não somente
no que diz respeito aos conceitos utilizados para explicar como são
compreendidos os assuntos abordados em sala de aula, mas também com ênfase nas informações
de como são os funcionamentos das coisas e das questões tecnológicas, tanto no
meio educacional, social ou industrial.
Nos livros didáticos de Física,
comentam de como é o funcionamento de um motor de combustão interna e
diferencia do combustível diesel e gasolina, o funcionamento de uma geladeira e
do ar condicionado e, alguns componentes eletrônicos no nosso meio social. Mas
ainda falta ir mais além, explicando como é o processo de fabricação,
construção ou modificação desses aparelhos e equipamentos, envolvendo tanto a
física, química, biologia e ou a história dos avanços tecnológicos ocorridos no
mundo em que vivemos.
Serão alternativas para aproximar os estudantes do ensino
médio ao mundo tecnológico com grandes chances de que no final do percurso,
como estudante do ensino médio, possa direcioná-los ao mundo do trabalho.
Um exemplo em que poderia ser utilizado nos livros
didáticos, seriam os conhecimentos de fabricação do aço, envolvendo a física e
a química, que poderia interagir desde a extração da matéria prima, o minério
de ferro, até a mistura com o carvão para a produção do ferro gusa em um alto
forno siderúrgico e até ao processo da transformação do ferro gusa em aço em
uma aciaria com a retirada do carbono do ferro gusa com a utilização do
oxigênio no interior da matéria prima. Processos simples de explicar e
entender.
Poderemos também não deixar de comentar que a produção do
papel, do tecido, dos aparelhos elétricos e eletrônicos e do automóvel, tanto
na explicação nos livros didáticos de física, química ou de biologia.
Existem opiniões em que os saberes da tecnologia
impulsionam a um mundo melhor e nunca teriam um fim, pois a cada momento
existem novas inovações e novas formas de viver em sociedade, mostrando que não
poderemos mais ficar alheio à cultura científica, que se renova a cada momento,
principalmente no ensino médio não podemos mais viver sem cultura científica “se
admite cada vez mais que sem cultura científica e tecnológica os sistemas
democráticos se tornam cada vez mais vulneráveis a tecnocracia” (FOUREZ, P. 23
1997).
Apesar das
disciplinas científicas, física, química e biologia, não serem bem aceita entre
os alunos do ensino médio, poderemos mudar esse contexto no sentido de que o
governo e os meios de comunicação social, abram espaços para informações e
comentários sobre a importância dessas disciplinas. Como exemplo, poderemos citar
os sites educacionais das instituições de ensino. Esses sites poderiam abrir um
espaço para mostrar a importância dessas disciplinas, citando novas inovações
tecnológicas, como funcionam determinados utensílios domésticos, como são
fabricados os materiais e ferramentas que nos auxiliam no nosso cotidiano,
entre outros assuntos que poderiam despertar o interesse dos alunos do ensino
médio nas disciplinas científicas no processo de ensino e aprendizagem.
O ensino médio atual é atuante no que diz a uma
conscientização dos alunos em envolvê-los de como ele poderá ingressar em um
curso técnico ou superior, mas somente isso não supre os saberes da ciência e
da tecnologia em como é a verdadeira concepção dos objetos que a todo o momento
tem nos auxiliados em nossa sociedade como poderemos citar os utensílios
domésticos, eletrônicos, elétricos, farmacêutico, meios de transporte,
mostrando o funcionamento e fabricação mecânica, elétrica, eletrônica e de
construção civil.
A ciência química tem uma indústria química
correspondente, a qual pode influenciar a elaboração dos programas de formação
dos químicos e fazer incorporar as concepções do mundo do trabalho, com
implicações no ensino da química. Isso não ocorre com a mesma intensidade na
formação do físico. (RICARDO, p. 5. 2007)
Em um dos textos sugeridos para leitura com o título “A
prática do professor e a pesquisa em ensino de física: novos elementos para
repensar essa relação”, nesse texto, faz abordagem das evidências na
investigação e trabalho das atividades de Física, sobre a pesquisa em educação
em ciência e a prática, que talvez seja em praticar a pesquisa sobre a teoria
aplicada em sala de aula.
No texto, os autores questionam o papel desempenhado
pelos resultados da pesquisa em educação e ciências como:
Um caminho proposto pelo autor seria
incorporar nas publicações a discussão sobre possíveis impactos educacionais,
que incluiriam motivações, pretensões, implicações mesmo nos casos em que não
se consigam identificar claramente o contexto de sua possível implementação.
Por outro lado, o autor reconhece a complexidade desta relação e questiona o
papel desempenhado pelos resultados da pesquisa em Educação em Ciências
oriundos de um dado contexto diferente da realidade onde se insere a prática
docente. (REZENDE, OSTERMANN, P.318 2005).
Porlán e Rivero (1998) citam dos problemas sobre a
prática das ciências em sala de aula e, relata que é escassa a integração de
diferentes tipos de conhecimento nos conteúdos sobre a ciência, o plano de
atividades sem detalhes ou rígido e por último, uma visão e atitudes do aluno
em entender ou não dos fatos apresentados.
No texto, relata o que pode influenciar no ensino de
física como: condições estruturais e condições de trabalho, salas não
adequadas, excesso de alunos em sala de aula e com diferentes culturas. A
existência de uma falta de perspectiva profissional, o professor ensina de
forma tradicional e com evasiva utilização de fórmulas físicas.
Atualmente existem salas com tecnologias e não são
suficientes para a quantidade de turmas nas escolas públicas. Existe uma sala
de informática para cada escola pública, sem manutenção adequada e não atende a
uma escola com em média de quatrocentos alunos do ensino médio por cada turno
de estudo. Os alunos tem dificuldade em relacionar o conteúdo teórico com os
fenômenos do cotidiano e, nos livros didáticos, mostram da importância e da
aplicação da maioria das atividades propostas em física.
Falta de base na matemática, leitura e compreensão dos
enunciados dos problemas e como encontrar a solução. Os alunos alcançam o
ensino médio com dificuldade em elaborar pequenas operações da matemática, não
sabem a tabuada e querem elaborar as provas em dupla e com a utilização da
calculadora do celular que na realidade vem com as colas nos textos
fotografados pelos próprios alunos.
A atitude do aluno sobre a Física é negativa e impede o
desenvolvimento e o professor tenta quebrar os preconceitos. O professor de
Física é visto como um complicador no processo ensino e aprendizagem, os alunos
não entendem os conceitos apresentados devido a não se interessarem em
interpretá-los, não sabem como interpretar pequenos textos.
A indisciplina ruim em sala de aula, com muita conversa e
disputas pessoas que atrapalham o processo ensino e aprendizagem.
Com o advento da internet, os professores tem mais
facilidade em exemplificar os conteúdos com as aplicações tecnológicas no meio
industrial, meio ambiente e no seu ambiente familiar, com dinâmica de grupo e,
interdisciplinaridade.
Um exemplo seria a corrente elétrica, condução de
eletricidade, luz, cor, relação entre força e movimento, as imagens no espelho
côncavo e conceitos de calor que, no passado não eram contextualizados e
atualmente existem equipamentos tecnológicos que facilitam em explicar esses
conceitos de Física como: Motores de combustão interna, caldeiras a vapor,
óculos, binóculos, utensílios elétricos e eletrônicos utilizados no meio
familiar.
Até hoje, não existem aplicações de pesquisas como
atividade interdisciplinar em sala de aula, não existem interesse por ambas as
partes, aluno e professor, devido principalmente ao excesso de alunos em sala
de aula, sala de informática insuficiente e os alunos não tem compromisso com o
estudo. Atualmente existe uma tentativa das escolas públicas em implantar dois
turnos de estudos, denominada de “escola viva” com disponibilidades de práticas
e ensino no segundo turno de estudo.
O ensino médio considerado como o acúmulo de saberes,
continua com a mesma finalidade do aluno prosseguir seus estudos, após o
término do ensino médio, em um curso técnico ou superior. Práticas direcionadas
nos livros didáticos somente para o exame de vestibular. O ensino médio não é
profissionalizante, apenas acúmulo de saberes.
No PCN+ 2002, no ensino médio com conhecimentos práticos,
contextualizados, que correspondem à vida contemporânea com práticas com a
realidade vivida do aluno e sugerem que “O desenvolvimento dos fenômenos
elétricos e magnéticos, por exemplo, pode ser dirigido para a compreensão dos
equipamentos elétricos que povoam nosso cotidiano”
Nas práticas pedagógicas do professor de física, utilizam
essas maneiras de ensinar como exemplo para os alunos do segundo ano quando os
professores comentam sobre máquinas térmicas e em motores de combustão interna,
geladeira e ar condicionado relacionando com o calor, na dilatação dos
materiais na construção civil. No primeiro ano do ensino médio, nos movimentos
sobre a velocidade dos veículos inclusive a utilização para multas dos veículos
em radares eletrônicos como é a relação do espaço percorrido marcado antes do
semáforo, o tempo gasto nesse percurso e o cálculo da velocidade instantânea e
ao mesmo tempo, com a velocidade da luz e, finalmente a fotografia do veículo
infrator. A força em relação à massa e o peso para os transportes no cotidiano.
No momento de uma força, são mostradas as ferramentas como o martelo, serrote,
carrinho de mão e a tesoura. O que condiz que os professores de Física estão utilizando
conhecimentos práticos contextualizados no processo de ensino e aprendizagem.
Uma das maneiras de melhorar o
ensino em sala de aula é o professor elaborar comentários sobre o meio ambiente
em que vivem os estudantes, podendo trazer informações importantes para que o
aluno possa assimilar os conceitos propostos em sala de aula, são exemplos de
como obter determinadas tecnologias de utilização no seu cotidiano, que podem
traduzir em interpretações facilitadoras no processo ensino e aprendizagem.
Referências Bibliográficas
Brasil, PCN+ Ensino
Médio: Orientações Educacionais Complementares aos Parâmetros Curriculares
Nacionais, Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias (Ministério
da Educação, Brasília, 2002)
CABALLERO M. A., Rodriguez, M. L. Actas Del encuentro internacional sobre El aprendizaje significativo.
Burgos, España PP. 19-44. 1997.
PORLÃN, R.; RIVERO, A. El conocimiento de lós professores – uma prouesta formativa em El área
de ciências. Sevilha: Diada Editora, 1998.
REZENDE F. OSTERMANN F. A prática do professor e a pesquisa em ensino de Física: Novos
elementos para repensar essa relação. Núcleo de tecnologia educacional para
a saúde UFRJ rio de Janeiro – RJ. Cad. Brás. Ens. Fis., V.22, n.3: p. 316-337,
dez. 2005
RICARDO, Elio C. Educação
CTSA: Obstáculos e possibilidades para sua implementação no contexto escolar.
Ciência & Ensino, vol. 1, número especial, nov. 2007.
RICARDO, Elio C. e FREIRE, Janaína C. A. A concepção dos alunos sobre a Física do ensino
médio: Um estudo exploratório (2006). Publicado na Revista Brasileira de
ensino de Física, V. 20, M.2, p.251-266, 2007 Pesquisa em Ensino de
Física. WWW.sbfisica.org.br.