sábado, 14 de janeiro de 2017

A IMPORTÂNCIA DO GERENCIAMENTO DE RESÍDUOS SÓLIDOS DE ATIVIDADES DE MINERAÇÃO


A IMPORTÂNCIA DO GERENCIAMENTO DE RESÍDUOS SÓLIDOS DE ATIVIDADES DE MINERAÇÃO


GARCIA, Róbison Pimentel (aluno) 1
FERREIRA Rafael Lopes (professor) 2


                                             
RESUMO


Este estudo avalia a importância do gerenciamento de resíduos sólidos de atividades de mineração, verificando as dificuldades do gerenciamento dos resíduos, o controle, o reaproveitamento dos resíduos sólidos gerados na atividade de mineração. O trabalho presente trata-se de uma pesquisa bibliográfica, artigos científicos publicados, pesquisa na internet, leis que regulamentam o descarte organizado no meio ambiente, resoluções sobre o meio ambiente, norma ISO e, finalmente em livros. Um bom gerenciamento de resíduos sólidos de atividades de mineração, poderá surgir ganhos financeiros para as empresas que atuam na exploração dos produtos sólidos, principalmente com a existência de um controle de informações tanto do resíduo como do produto obtido. Com o aproveitamento do resíduo sólido, poderá trazer novas oportunidades de negócios para as empresas envolvidas nesse processo de mineração. Existem informações que permitem a identificação de pontos que devem ser priorizados para evitar desastres ecológicos na região da mineração. Os resultados obtidos com as pesquisas, procurou-se buscar informações sobre a utilização dos resíduos sólidos de atividades de mineração, ou como evitar que esses resíduos sejam dispostos no meio ambiente, com um planejamento e acompanhamento das atividades de mineração. Observa-se que o questionamento sobre o reaproveitamento de resíduos, é de interesse da comunidade envolvida na extração do produto e, a necessidade de uma preparação para a vida condiz com os interesses do mercado de trabalho, contribuindo para a qualidade do meio ambiente e para o atendimento das necessidades das indústrias mineradoras, as quais na maioria das vezes não tem interesse no reaproveitamento do resíduo sólido.

Palavras-chave: Mineração. Resíduos Sólidos. Meio ambiente







1Graduado em Engenharia Mecânica pela UFES e Professor de Física na Rede Estadual de Ensino do Estado do Espírito Santo. Curso de Pós-graduação lato sensu em Educação Ambiental e Sustentabilidade. E-mail: robisonpimentelgarcia@yahoo.com.br.
2Gestor Ambiental (Faculdades Integradas Camões/PR), Especialista em Biotecnologia (Pontifícia Universidade Católica do Paraná – PUC/PR), Orientador de TCC do Centro Universitário Internacional Uninter do Curso de Pós-graduação Lato Sensu em Educação Ambiental e Sustentabilidade.


1 INTRODUÇÃO


Na sociedade atual, a informação e a comunicação adquiriram uma enorme importância e, as atividades de mineração no processamento e obtenção dos produtos sólidos, não podem permanecer alheias aos novos meios de processamento, elaboração, armazenamento e distribuição dos seus produtos e, os resíduos sólidos gerados durante esse processo. As novas tecnologias utilizadas no mundo moderno contribuem para o processo de obtenção de produtos de boa qualidade, facilitando e ampliando as possibilidades de bons negócios no mundo empresarial. A utilização de meios de estocagem adequado dos produtos obtidos e, a estocagem e/ou o reaproveitamento dos resíduos sólidos, possibilitando aos empresários desenvolver novas habilidades e competências, que proporcionam uma melhor adequação e reaproveitamento para obter novos produtos utilizando os resíduos sólidos durante o processo de mineração.
O homem vem se preocupando cada vez mais com o meio ambiente, sendo assim, novas formas e tecnologias de processo dos produtos e dos resíduos são desenvolvidas para que ocorram menores impactos ao meio ambiente. Atualmente as empresas querem ser vistas como empresas boas, aquelas que se preocupam com o meio ambiente, passam boa imagem para os seus clientes, principalmente quando existe o interesse financeiro com ações da empresa na bolsa de valores.
O que não tem realizado com eficiência a estocagem e/ou o reaproveitamento dos resíduos sólidos obtidos durante o processo de mineração, causando transtorno ao meio ambiente, contaminação principalmente do solo, da água e do ar atmosférico, que são bens da natureza utilizados pelo ser humano para sua sobrevivência.
Berté (2012, p. 13), comenta sobre a exploração do planeta pelas atividades humanas e, a necessidade de reexaminarmos os projetos de crescimento econômico com ênfase a conservação ambiental torna-se importante, “[...] no que se refere à trajetória de ocupação e de exploração do planeta, encontra-se em um momento crucial, pois a Terra emite sinais de alarme que indicam evidências de esgotamento da sua capacidade de suporte para as atividades humanas”.
A informação e a comunicação sobre a contaminação do meio ambiente pelas empresas, esta em todo momento sendo divulgada no meio social, com relato de fatos ocorridos com a contaminação do solo, água e do ar atmosférico.
O trabalho presente trata-se de pesquisa bibliográfica, artigos científicos, pesquisa na internet, norma ISO, livros, resoluções sobre o meio ambiente e, as leis que regulamentam o descarte organizado no meio ambiente dos produtos e resíduos sólidos contaminando o solo, água e do ar atmosférico e, uma prática de planejamento, execução, checagem e atuação das atividades durante o processo de mineração, poderá evitar que uma empresa contamine o meio ambiente.


2 DESENVOLVIMENTO


No Brasil, com o crescimento da produção do processo de mineração, houve um aumento substancial da poluição do meio ambiente. Os trabalhos de planejamento, execução e acompanhamento dos rejeitos sólidos não são realizados com eficiência. O processo de elaboração adotado na construção e execução dos projetos de mineração, tanto no início, quanto durante a produção, normalmente se utilizam de atividades não adequadas na contenção dos rejeitos sólidos e, na construção de barragens de contenção utilizam o próprio rejeito sólido ou, outro meio de proteção inapropriado, para que não ocorra a contaminação do meio ambiente, não tendo eficiência na proteção adequada desses resíduos.
Existe a necessidade de um novo modelo de exploração do meio ambiente pelo homem, devemos ter em mente que a agressão ao meio ambiente ainda permanece constante e devemos repensar em novas maneiras de exploração sem agredir esse ambiente, Berté (2012, p. 116) comenta que:

[...] os desastres ambientais comprovam que o modelo de exploração do meio ambiente que o homem adotou deve ser repensado. As agressões são constantes e, por isso, necessitamos conhecer e estabelecer mecanismos para a recuperação dos ambientes degradados, o que implica uma abordagem ou atuação multidisciplinar. Essa é uma necessidade concreta e urgente. (BERTÉ, 2012, p. 116).

Multidisciplinar significa em que todos os envolvidos no processo de exploração de um produto do meio ambiente, sejam responsáveis em maneiras adequadas e eficientes na exploração desse produto de maneira que não contamine o meio ambiente e no caso de degradação, há necessidade urgente de recuperação.
Existem vários tipos de impactos causados no meio físico pelas empresas de mineração, a contaminação do solo é um impacto que merece atenção, pois o péssimo direcionamento dos rejeitos provenientes da extração do mineral, podendo gerar contaminação nos lençóis freáticos que abastecem a população e, nos rios contaminando tanto o homem como os animais, podendo gerar uma crise em cadeia no meio ambiente. Tem influência também o processo erosivo, pela eliminação da vegetação do solo, possibilitando o carregamento de partículas sólidas, provocada pelas ações da erosão natural, como chuvas e ventos. Estes fatores, associados ao tráfego de veículos e equipamentos de processamentos do mineral a ser obtido, provocam a modificação na estrutura do solo, compactação da superfície, dificultando a infiltração da água e faz com que a mesma escorra na superfície, iniciando o processo erosivo do solo.
Berté (2012, p. 69), comenta que as pessoas tem que ter conhecimentos e habilidades para intervir em processos decisórios, há necessidade de tomadas de decisões quanto ao rejeito sólido gerados durante a obtenção do mineral em uma empresa de mineração.

Em razão da complexidade da questão ambiental, existe a necessidade de os processos educativos proporcionarem condições para as pessoas adquirirem conhecimentos e habilidades, e desenvolverem atitudes a fim de intervir de forma participativa em processos decisórios que implicam a alteração, para melhor ou pior, da qualidade ambiental. (BERTÉ, 2012, p. 69).

O processo de armazenamento e, com possibilidade de reaproveitamento do resíduo sólido, exige etapas demasiadamente complexas de organização das atividades que devem ser coordenadas para a sua viabilização final. Esse processo pode ser auxiliado por técnicas de planejamento e controle dos rejeitos sólidos, utilizando pessoal treinado para que contribua a uma solução final adequada e não poluindo o meio ambiente, contribuindo para uma vida melhor de toda uma população no entorno da produção desse rejeito.
O modelo atual empregado no processo de armazenamento e contenção dos resíduos sólidos não é adequado, considerando incertezas na execução, um caminho com atividades voltadas a obtenção do resultado final. Portanto verifica-se que não existe a preocupação com o critério de armazenamento e execução de uma atividade, de maneira que o emprego de projetos de contenção bem elaborados, pode facilitar na otimização da produção e execução de trabalhos tanto na área de prospecção do produto do processo de mineração, quanto do rejeito sólido gerado durante esse processo industrial.
Licenças ambientais devem ser revistas periodicamente, para o caso de não atendimento em que a preservação do meio ambiente seja saudável para a saúde pública, ela poderá ser até cancelada, paralisando assim a atividade de mineração, Fink et al (2004, p. 16) comenta que “se houver violação ou inadequação de quaisquer condicionantes ou normas legais, cabe a cassação de licença: omissão ou falsa descrição de informações relevantes que subsidiaram a expedição da licença causam sua invalidação”.

[...] enquanto as condições fixadas pela licença ambiental atenderem ao fim maior que é a preservação do meio ambiente saudável, será mantida; caso deixe de atendê-lo, a licença deverá ser revista. Infere-se, portanto, que a licença ambiental é dotada, implicitamente, de uma verdadeira cláusula rebu sic stantibus, ou seja, se as condições originais que deram ensejo à concessão da licença mudarem, esta também pode ser alterada ou até retirada. Ademais, essas licenças são revistas periodicamente, já que concedidas por prazos certos. (FINK et al, 2004, p. 17).

Desta forma, a utilização de tecnologias inovadoras e eficientes no processo de contenção dos rejeitos sólidos, poderá evitar consequências desastrosas ao meio ambiente. Assim, identificar meios adequados de armazenamento, identificar quais são as dificuldades encontradas na utilização desse processo é de fundamental importância para que não contamine o meio ambiente.
Mota et al (2009 p. 2) cita que o resíduo sólido, denominado de lixo, é um problema  mundial e pode ser uma ameaça à saúde pública.

Os resíduos sólidos mais precisamente denominados de lixo correspondem a todo material proveniente das atividades diárias do homem em sociedade [...] o descarte dos resíduos tem se tornado um problema mundial quanto ao prejuízo e poluição do meio ambiente, [...] onde se pode afetar tanto o solo, a água e/ou o ar. A poluição do solo pode alterar suas características físico-química, que apresenta uma série ameaça à saúde pública tornando-se o ambiente propício ao desenvolvimento e transmissões de doenças. (MOTA, 2009 p. 2).

Conforme comenta Berté (2012, p. 27), o que é um impacto ambiental? Em um meio ambiente.

A Resolução Conama n. 001, de 18 de março de 1986, define impacto ambiental como: [...] qualquer alteração das propriedades físicas, químicas e biológicas do meio ambiente, causada por qualquer forma de matéria ou energia resultante das atividades humanas que direta ou indiretamente, afetam: I – a saúde, a segurança e o bem estar da população; II – as atividades sociais e econômicas; III – a biota (*); IV – as condições estéticas e sanitárias do meio ambiente; V – a qualidade dos recursos ambientais. (Brasil, 1986c). (BERTÉ, 2012, p. 27)

Berté (2012, p. 121) comenta sobre os impactos ambientais envolvendo o homem e a natureza e relata a necessidade de aplicar princípios e técnicas e também a recorrer a dispositivos legais quanto à ocorrência de uma contaminação do meio ambiente, Berté (2012) cita também os dispositivos legais que trata da avaliação do impacto ambiental como: EIA, AIA e RIMA.

Os impactos ambientais são ocasionados por choques de interesses diretos ou indiretos, envolvendo o homem e a natureza. [...] Nesse embate, desmatamentos, queimadas, erosão, aumento ou redução da camada de ozônio, [...] e poluição são as consequências graves. Diante desse quadro, surge a necessidade de estudarmos, conhecermos e aplicarmos determinados princípios, técnicas e também recorrer a dispositivos legais para a efetividade da gestão ambiental (Estudo Prévio de Impacto Ambiental – EIA, Avaliação de Impacto Ambiental – AIA, Relatório de Impacto Ambiental – RIMA e outros). (BERTÉ, 2012, p. 121).

No processamento do mineral, os resíduos sólidos são depositados no meio ambiente, simplesmente são dispostos a céu aberto e sem nenhum controle da estocagem. Estes resíduos contaminam o solo, a água e o ar atmosférico, contaminam o meio ambiente e põe em risco a imagem da empresa de mineração. Aterros controlados ou, o reaproveitamento dos resíduos sólidos no processo de mineração, faz-se necessário para evitar danos ao meio ambiente.
Atualmente a legislação sobre o meio ambiente esta cada vez mais severa, quando uma empresa contamina o meio ambiente, recebem multas elevadas sobre o comprometimento ambiental. Após isso, as empresas passam a adotar sistemas eficazes para reduzir a contaminação do solo, da água e do ar atmosférico, reduzem o impacto ambiental enfrentando esses desafios com eficácia, gerenciando todo o processo de maneira adequada e controlada.
Dificuldades para cumprir a legislação ambiental em todo o mundo, é uma prática constante e, às vezes, os próprios trabalhadores, tanto das empresas de mineração, quanto os técnicos ambientais dos órgãos públicos, observam a agressão ao meio ambiente e ficam impotentes diante de tais fatos e, um comentário interessante sobre esse assunto é citado por Berté (2012 p. 44).

Os técnicos ambientais dos órgãos públicos convivem com uma série de dificuldades para cumprir a legislação ambiental. São obstáculos de toda ordem, que vão desde a falta crônica de condições de trabalho (meio materiais, equipe técnica adequada, recursos financeiros, instalações, acesso às informações técnicas, apoio da chefia etc,) até a ausência pura e simples de vontade política dos governantes para tornar esses órgãos presentes e atuantes na realidade social. (BERTÉ, 2012, p. 44).

Berté (2012 p. 58) comenta que para mediar conflitos entre indivíduos, grupos, organizações e coletividades, citam que a Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, em seu artigo 225, que a defesa do meio ambiente não esta apenas do poder público, mas sim da coletividade, mas o poder público é o principal responsável pela garantia a todos os brasileiros do direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado.

Consultando a Legislação, A Constituição define como obrigação do Poder Público, sete incumbências para que ele assegure a efetividade do direito ao meio ambiente equilibrado. I – preservar e restaurar os processos ecológicos essenciais e prever o manejo ecológico das espécies e ecossistemas; [...] IV – exigir, na forma da lei, para instalação de obra ou atividade potencialmente causadora de significativa degradação do meio ambiente, estudo prévio de impacto ambiental, a que se dará publicidade; V – controlar a produção, a comercialização e o emprego de técnicas, métodos e substâncias que comportem risco para a vida, a qualidade de vida e o meio ambiente. [...] Nesse cenário, e por ser o principal responsável pela proteção ambiental no Brasil, cabe ao Poder Público, por meio de suas diferentes esferas, intervir nesse processo. (BERTÉ, 2012, p. 58).

Diante do exposto, torna-se importante a utilização de metodologias adequadas no manejo do resíduo sólido nos processos de mineração, gerenciamento de projetos de maneira eficaz, na busca aperfeiçoada da execução das operações e, acompanhar o desenvolvimento da tarefa para prevenir possíveis danos ao meio ambiente.
Os resíduos sólidos são os principais problemas em uma empresa mineradora. Existe uma necessidade do gerenciamento desses resíduos, devido a degradação do meio ambiente caso sejam dispostos inadequadamente, afetando toda a espécie da vida vegetal e animal, podendo ocasionar riscos a saúde do homem. Berté (2012), comenta que a todo o momento recebemos notícias sobre questões sociais e ambientais no Brasil.

Ao mesmo tempo em que recebemos uma enxurrada de notícias que expõem questões sociais e ambientais preocupantes para o Brasil – como a fome no Nordeste ou o desmatamento na Amazônia -, também recebemos informações sobre ações socioambientais, que têm fomentando a cidadania e a esperança do povo brasileiro por mudanças. (BERTÉ, 2012).

Um exemplo da degradação do meio ambiente citado por Felippe (2016), foi o rompimento de barragem de rejeitos sólidos da empresa SAMARCO (Empresa de mineração que retira o minério de ferro no município de Mariana – MG e envia por meio de minerioduto para o município de UBU – ES, após o processo do minério de ferro em pelotas, ele é exportado). O rompimento da barragem de rejeitos no município de Mariana – MG, contaminou todo o Rio Doce em regiões dos estados de Minas Gerais e Espírito Santo, transformando o Rio Doce em uma corredeira lamacenta de resíduos de minério de ferro entre outros minerais.
Felippe (2016 p. 2), faz comentários sobre o ocorrido com o rompimento da barragem de resíduos sólidos no município de Mariana – MG e cita como o maior desatre ambiental da história do Brasil.

Na tarde do dia cinco de novembro de 2015, ocorreu o rompimento de uma dos diques da barragem de rejeitos de mineração de fundão, localizada em Mariana – MG. [...] o maior desatre ambiental da história do Brasil. [...] mortes de pessoas, [...] prejuízos às cidades e povoados das margens do rio Doce [...] 500 km do rio Doce (formador da quinta maior bacia do país). [...] 60 bilhões de metros cúbicos de rejeitos [...] com isso, uma série de danos ambientais de altíssima magnitude e prejjuízos incalculáveis para o meio físico, biótico e socioeconômico (FELIPPE, 2016, p. 2).

Nesse tipo de ocorrência, a sociedade civil deverá acessar informações sobre os empreendimentos, principalmente sobre as empresas de mineração, em virtude das causas e consequências de uma má administração operacional, a mera desculpa de geração de emprego poderá criar no futuro dificuldades, principalmente se o emprendimento for um poluidor, sendo assim, penalizado pelo Poder Público e no futuro ocasionando desemprego e prejuízos por sua instalação inadequada. Berté (2012, p. 61) comenta que “muitas vezes uma atividade ou empresa que, embora gere lucros para alguns e demonsre ser altamente desejável por um grupo ou uma camada da população, pode ao mesmo tempo ocasionar perda para outros, tornando-a inaceitável.” Berté (2012, p. 61), faz o relato sobre o que um empreendimento pode representar lucro para uns e prejuízos para outros.

Um determinado empreendimento pode representar lucro para empresários, emprego para trabalhadores, conforto pessoal para moradores de certas áreas, votos para políticos, aumento de arrecadação para Governos, melhoria da qualidade de vida para parte da população e, ao mesmo tempo, implicar prejuízos para outros empresários, desemprego para outros trabalhadores, perda de propriedade, empobrecimento dos habitantes da região, ameaça à biodiversidade, erosão, poluição atmosférica e hídrica, desagregação social e outros problemas que caracterizam a degradação ambiental. (BERTÉ, 2012 p. 61).

Quando da instalação de uma empresa de mineraçao, deverá ser contemplado várias atividades técnicas para que a empresa possa funcionar com eficiência, com: Diagnóstico ambiental do meio físico (solo, água e o ar atmosférico), do meio biológico, do meio socioeconômico, análise dos impactos ambientais e, elaboração de programa de acompanhamento dos impactos positivos e negativos. Berté (2012, p. 124) comenta que na “Resolução Conama n. 001/1986, contém os elementos básicos dos EIA/Rima. De acordo com seu art. 5º, o EIA deve:

I – Contemplar todas as alternativas tecnológicas e de localização de projeto, controntando-as com a hipótese de não execução do projeto; II – Identificar e avaliar sistematicamente os impactos ambientais gerados nas fases de implantação e operação da atividade; III – Definir os limites da área geográfica a ser direta ou indiretamente afetada pelos impactos, denominada “área de influência do projeto”, considerando, em todos os casos, a bacia hidrográfica na qual se localiza; IV – Considerar os planos e programas governamentais, propostos e em implantação na área de influência do projeto, e sua compatibilidade. (BERTÉ, 2012, p. 125),

Um planejamento é uma oportunidade para resolver um problema e, o cronograma com as atividades é excencial neste contexto. Nâo é possível gerenciar um projeto de mineração, sem a utilização de um planejamento adequado dos resíduos sólidos obtidos durante o processo de produção. A utilização de atividades de contenção e estocagem dos resíduos sólidos, facilitará a produção, permitindo um melhor controle de todo o processo de produção e monitoramento no tempo real analisando os desvios das ações previstas.
Conforme cita Becevelli (2011, p. 276), sobre a importância do planejamento, execução e avaliação do trabalho, em qualquer empreendimento industrial.

[...] O planejamento é um ato ao mesmo tempo político-social, científico e técnico: político social na medida em que esta comprometida com as finalidades sociais e políticas; científico na medida em que se pode planejar sem o conhecimento da realidade; técnico na medida em que o planejamento exige uma definição de meios eficientes para obterem os resultados. (BECEVELLI, 2011, p. 276)

Destacamos alguns tópicos relevantes para compreensão da metodologia no gerenciamento de projeto conforme Padilha (2004). Existem três questões básicas que devem ser levadas em consideração para esse gerenciamento, tais como: o tempo, a tarefa e o recurso e, estão relacionados entre si, sendo os objetos a serem levados em consideração na obtenção do produto de mineração e uma solução adequada quanto ao resíduo obtido, evitando uma possível contaminação do meio ambiente. Então, o gerenciamento é fundamental e, as atividades adequadas facilitam tanto no processo de produção de um determinado produto, quanto da estocagem ou o reaproveitamento do resíduo sólido.
Em qualquer empresa, principalmente as de grande porte e, em atenção especial ao  processo de mineração de produtos sólidos, Becevelli (2011) comenta que um cronograma é a organização temporal de atividades, calendário para cumprir tarefas ou projeto, com períodos, em que as atividades acontecerão. É uma disposição gráfica que, com um tempo previsto de um trabalho e de acordo com atividades a serem realizadas e, serve para gerenciar o controle de um trabalho, permitindo de forma rápida a visualização de seu andamento e, no processo de mineração, seria interessante a realização de um planejamento adequado, principalmente dos resíduos sólidos obtidos durante o processo de mineração.
Toda a empresa que atua com um planejamento, acompanhamento e controle das suas atividades periódicamente, estará apta a detectar problemas relacionados aos desvios de conduta das atividades, que podem ser eficazes na descorberta de novas oportunidades de modificações durante a operação do produto final, controle dos resíduos, entre outras atividades necessárias ao bom andamento do processo produtivo.
Planejar é escolher qual é o melhor percurso para que uma empresa funcione adequadamente. É traçar os objetivos com planos definidos. O planejamento é mutável em função de novas metas de produção a serem atingidas. Hà necessidade de conhecer bem as atividades de controle da empresa para que caminhe com segurança pois, fatores de desvios de condutas durante o processamento do produto, devem ser levados em conta, principalmente quando se trata de uma empresa de mineração nas quais extraem produtos metálicos utilizados nos meios industriais e obtem resíduos, que podem afetar o meio ambiente.
No planejamento, poderemos identificar o ambiente interno da empresa, levantamento das estratégias e planos de ação, identificando suas deficiências, aprimorando o desenvolvimento das suas atividades, utilizando maneiras adequadas com os seus recursos físicos e humanos. No planejamento, poderemos veririficar, quais as ameaças possíveis no meio ambiente com o resíduo sólido, visando identificar problemas que poderão surgir no processo produtivo, fraquezas e pontos críticos na obtenção dos resíduos sólidos, nos quais poderão contaminar o solo, a água ou o ar atmosférico. Quais condições em que o ambiente apresenta e, quanto mais complexo, mais reflexão será necessária para alcançar o objetivo, principalmente quando temos as variáveis incontroláveis como as entempéries da natureza (chuvas e ventos), ameaçando o meio ambiente com os resíduos obtidos durante o processamento industrial.
Bethlem (2009), comenta que há necessidade de implantar estratégias e avaliar o ambiente empresarial.

As mudanças econômicas, políticas e sociais ocorridas nos últimos anos têm exigido cada vez mais adoção de medidas decisivas adequadas a essa nova realidade, tornando-se vital aprender a formular e implantar novas estratégias e a avaliar o ambiente ao qual estas novas estratégias vão-se adequar (BETHLEM, 2009).

Oliveira (2003) define estratégia como “[...] um caminho ou maneira, ou ação formulada e adequada para alcançar, preferencialmente, de maneira diferenciada, os desafios e objetivos estabelecidos, no melhor posicionamento da empresa perante seu ambiente.”
Na sociedade atual, as empresas estão utilizando a estocagem de resíduos sólidos de maneira inadequado o que tem mostrado a todo o momento, como a poluição do rio doce, caso recente. Tem crescido muito a quantidade de informações em uma organização e, é de acreditar que nas empresas encontraremos resíduos sólidos estocados não apropriadamente.
Berté (2012 p. 218) comenta que existe uma parte da população que não consegue verificar a qualidade da água e que, as políticas públicas e privadas devem garantir uma melhor qualidade de vida.

No entanto, as periferias das cidades, embora sofram um alto impacto de degradaçao ambiental, têm uma população que ainda não consegue se mobilizar, pois não consegue relacionar as doenças à má qualidade da água, às enchentes, aos problemas de desmatamentos, entre outros. Por fim, permanece a consciência de que deveremos estabelecer padrões de qualidade ambiental, integrar as políticas públicas e privadas às de desenvolvimento socioambiental, garantindo a tão almejada qualidade de vida para as presentes e futuras gerações. (BERTÉ, 2012, p. 218).

Sobre quais medidas que poderiam ser adotadas para garantir uma melhor estocagem dos resíduos sólidos, poderiam beneficiar a não contaminação do meio ambiente. Há necessidade de uma melhor maneira de estocagem dos resíduos sólidos e, os técnicos que lidam com o processo de mineração sabem como lidar com esse problema mas, não recebem apoio dos seus superiores. Os gerentes das empresas as vezes não interessam em solucionar esses problemas, se preocupam mais com a produção final do que com os problemas que possam gerar no meio ambiente com os resíduos sólidos obtidos durante a sua produção.
A Norma Brasileira NBR ISO 14001:2004, sobre a extração dos recursos físicos do meio ambiente, é relatada pelo Conselho Regional de Química IV Região (SP), que promove minicursos sobre a interpretação dessa norma. Nesse minicurso, relata o objetivo dessa norma em “Prover as organizações de elementos de um Sistema de Gestão  Ambiental (SGA) eficaz que possam ser integrados a outros requisitos de gestão e auxiliá-los a alcançar seus objetivos ambientais e econômicos”. (MINICURSO NBR ISO 14001:2004, 2013).
Então, a Norma ISO 14001:2004, trata-se dos conceitos de meio ambiente e gestão ambiental, citando que o meio ambiente representa a circunvizinhança em que uma organização opera, incluindo: o solo, a água, o ar atmosférico, os recursos naturais, a flora, a fauna, os seres humanos e suas inter-relações.
No Minicurso (2013, p 10), cita que a norma NBR ISO 14001:2003, faz alusão a melhoria continua baseada no ciclo PDCA.
O ciclo PDCA, representa uma sequência de ações que uma empresa poderá atuar baseada em uma melhoria contínua. A seguir, temos o significado de cada ação desse ciclo:
- Letra “P” significa o planejamento (nesta etapa planejamos o que vamos fazer);
- Letra “D” significa desenvolver (nesta etapa fazemos o que planejamos na etapa anterior);
- Letra “C” significa conferir (nesta etapa conferimos tudo o que foi realizado);
- Letra “A” significa atuar (nesta etapa corrigimos o que não deu certo e padronizamos o que deu errado).
Uma empresa, principalmente em se tratando de uma mineradora e, extraindo da natureza um produto a ser consumindo em uma atividade industrial, gerando resíduos sólidos no seu processo, poderá se beneficiar em seu percurso sequindo os passos do ciclo PDCA e, estará contemplando em suas operações industriais todos os itens necessários a sua performasse em eficiência e qualidade, sem comprementer o meio ambiente.
No minicurso NBR ISO 14001:2004 (2013), comenta que o Planejar é a identificação e avaliação dos aspectos e impactos ambientais, identificação dos requisitos legais aplicáveis, objetivos, metas e programas de gestão ambiental; O Realizar são os recursos, funções, responsabilidades e autoridades, competências, treinamento e conscientização, comunicação, documentação e controle de documentos, controle operacional e preparação e resposta a emergência; O Verificar é o monitoramento e medição, avaliação do atendimento e requisitos legais, não conformidade, ação corretiva e preventiva, registros e auditorias SGA e, finalmente o Agir que representa a implementação de ações corretivas e preventivas, análise crítica periódica pela direção e busca da melhoria contínua.


2.1 METODOLOGIA


Este trabalho trata-se de fazer uma pesquisa bibliográfica, artigos científicos, pesquisa na internet, leis que regulamentam o descarte organizado no meio ambiente, resoluções sobre o meio ambiente, norma ISO e, livros com relação ao produto gerado nas empresas de mineração e, os resíduos sólidos obtidos durante o processamento industrial, mostrando a importância da estocagem adequada evitando impactos ao meio ambiente; Mota (2009) faz referência que os resíduos sólidos são problemas mundial; Berté (2012) cita que diante desse quadro, surge a necessidade de estudarmos, conhecermos e aplicarmos determinados princípios, técnicas e também recorrer a dispositivos legais consultando a legislação e define a obrigação do Poder Público; Felippe (2016) comenta sobre o ocorrido com o rompimento da barragem de resíduos sólidos, pela empresa SAMARCO no município de Mariana – MG; Oliveira (1986) comenta a necessidade de um planejamento estratégico e, no Minicurso (NBR ISO 14001:2004) apresenta a necessidade de aplicar o ciclo PDCA (planejar, executar, checar e atuar) nas atividades das empresas.


3 CONSIDERAÇÕES FINAIS


A aplicação de metodologias adequadas na estocagem dos resíduos sólidos durante o processo de extração de minerais, apresenta-se possibilidades de ganhos significativos na redução da contaminação do meio ambiente. Projetos bem elaborados, com acompanhamentos sistematizados no gerenciamento das tarefas de contenção do rejeito sólido, permitem evitar impactos ambientais de grandes proporções ao meio ambiente, evitando principalmente a contaminação do solo, da água e do ar atmosférico.
Os resultados com a contaminação do meio ambiente, torna-se importante a vantagem da utilização de meios adequados na estocagem dos resíduos sólidos obtidos durante o processo de mineração.  
O poder público tem conhecimento da importância da elaboração de um planejamento adequado na estocagem dos resíudos sólidos, mas somente atua com eficiência, quando uma contaminação do meio ambiente esta para acontecer ou aconteceu. Penalizando as empresas com multas pesadas e que, seria mais vantajoso acompanhar o processo de produção e o que se tem realizado com o resíduo sólido gerado durante o funcionamento da empresa, isto é, o que se tem realizado para estocar o resíduo sólido de forma adequada e sem poluir o meio ambiente.
Nas empresas que executam a estocagem do resíduo sólido, não existem equipe treinada para esse processo, auxiliando no planejamento, execução e controle de todo o processo com ferramentas, máquinas adequadas no manejo e estocagem desses resíduos..
Sugere-se, a realização das atividades de estocagem com meios adequados e eficiente no manejo do resíduo sólido no processo de mineração, com elaboração de planejamento e controle de maneira que não contamine o meio ambiente e ou uma maneira de que como poderemos reaproveitar o resíduo sólido em uma atividade industrial.










REFERÊNCIAS


BECEVELLI, Indiana Reis da Silva, Educação e inclusão e a relação trabalho, cultura, ciência e tecnologia, diálogo sobre a educação profissional e tecnológica, saberes, metodologia e práticas pedagógicas. Editora IFES, 2011.

BERTÉ R. Gestão sócio ambiental no Brasil. 2ª edição editora IPEX. 2012.

BETHLEM, A. de S. Estratégia empresarial: conceitos, processos e administração estratégica. 6ª edicão. São Paulo. Editora Atlas. 2009.

BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Resolução Conama n. 001, de 23 de janeiro de 1986. Diário Oficial da União, Poder Executivo, Brasília, 17 fev. 1986c. ver Berté (2012, p. 228) com a disponibilidade e acesso em 10/01/17. http:// <www.mma.gov.br/port/conama/res/res86/reso186.html>.

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